O que vem da Conjuntura da ANA
No Relatório Pleno de 2025, a ANA reúne informações físicas, usos da água, eventos críticos e respostas de gestão. O leitor consegue passar de uma seca observada nos dados às medidas de gestão adotadas. Informes anuais atualizam o quadro entre os relatórios plenos. A edição digital facilita a consulta por tema.
A CND adaptaria essa sequência. Primeiro, mostraria o que ocorreu e a quem atingiu. Depois, ligaria alerta, socorro e recuperação a eventos documentados. Ao fim, examinaria as capacidades locais e a evolução da política. A SEDEC pretende tornar essa série uma referência nacional para decisões e prestação de contas. A ANA aparece como referência de método e possível leitora crítica.
O que cada edição entregaria
- Informe anual
- Síntese do ano-base, com abertura em dez indicadores e três a cinco estudos de grandes eventos. Um número de destaque sobre perdas reportadas só entraria com base de preços e critério de composição validados.
- Cadernos Federativos
- Uma ficha por UF, incluindo o Distrito Federal. As duas páginas sugeridas reuniriam mapa municipal, eventos, recursos por fase, capacidades e comparação com a própria série da UF.
- Painel e dados abertos
- Cada tabela do texto teria um arquivo reutilizável e uma ficha de origem, corte, unidade e revisão. As versões anuais permaneceriam identificadas mesmo quando os sistemas de origem fossem atualizados.
- Relatório Pleno
- Análise quadrienal das séries, mudanças de exposição e capacidade institucional. A primeira edição plena está proposta para 2030, com retrospectiva dos anos-base 2026–2029.
Nove capítulos, nove perguntas
A editoria reuniria os destaques e fecharia a edição com cadernos estaduais e anexo metodológico. A distribuição de responsabilidades abaixo foi proposta por função e depende de designação.
| Capítulo e pergunta | Quem prepararia a resposta |
|---|---|
| 01 · O ano em desastres. Onde houve registros e quais perdas foram declaradas? | Editoria e gestão de informação da SEDEC. Registros do S2iD, série do Atlas e classificação COBRADE. |
| 02 · Anatomia dos grandes eventos. Como se passou da vigilância à recuperação? | Todas as unidades e equipes locais. Uma cronologia documentada por evento identifica decisões, meios empregados e pendências. |
| 03 · Conhecer e prevenir. Que vulnerabilidades e medidas mudaram? | DPM. Mapeamentos, Cadastro Nacional, priorização, severidade física, planos e intervenções de prevenção e mitigação. |
| 04 · Preparar e alertar. Havia protocolo e capacidade para agir? | CENAD e área de preparação e socorro. Registros de avisos, cobertura, treinamento, exercícios e planos de contingência. |
| 05 · Socorrer e assistir. Que ajuda chegou, onde e quando? | Preparação e socorro e assistência humanitária. Reconhecimentos, operações, suprimentos e registros de atendimento. |
| 06 · Restabelecer e reconstruir. Que serviço voltou e que obra foi entregue? | Área de restabelecimento e recuperação. Planos de trabalho, transferências, marcos de execução e entrega local. |
| 07 · A federação em movimento. Que capacidades têm os territórios? | Editoria, gestão de informação e UFs. Registros institucionais, indicador de capacidade municipal e pesquisas do IBGE conforme o ano disponível. |
| 08 · Os instrumentos da política. O que avançou no plano nacional? | Todas as áreas, com planejamento e orçamento. Metas, atos, execução e evidências de implementação da política. |
| 09 · O Brasil no mundo. Que indicadores podem subsidiar o reporte internacional? | Editoria e agenda internacional. Correspondência com o Marco de Sendai e os ODS, com definições, lacunas e validação própria. |
O ciclo de proteção e defesa civil
- Prevenção
- Cruzar ocupação, suscetibilidade e capacidades para identificar onde evitar novas exposições. Registrar data do mapa e o universo de municípios observado.
- Mitigação
- Vincular cada intervenção de redução de risco ao território e ao estágio real da obra ou medida. Comparar a situação anterior e a observada depois, indicando os fatores que afetam a comparação.
- Preparação
- Verificar se a localidade tinha plano atualizado, exercício documentado e responsáveis por receber e disseminar avisos. Medir a cobertura do alerta onde houver evidência.
- Resposta
- Registrar a cronologia dos acionamentos, buscas, abrigos e assistência. Associar cada quantitativo à sua fonte, à população coberta e à janela de atendimento.
- Recuperação
- Separar restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução permanente. Mostrar etapa administrativa, valor transferido, execução física e aceite da entrega, com suas datas próprias.
- Monitoramento transversal
- Relacionar observações e avisos técnicos dos parceiros, incluindo o Cemaden, aos registros do CENAD e aos acionamentos estaduais e municipais. O destinatário pode então verificar o intervalo até a ação e onde o fluxo ficou sem registro.
Do território ao CONPDEC
O município documenta a ocorrência, declara danos e informa a resposta local. O estado ou Distrito Federal reúne o contexto regional, valida sua ficha e ajuda a identificar quando vários municípios descrevem o mesmo fenômeno. Regras comuns de corte e revisão permitem publicar esses relatos lado a lado.
Na SEDEC, cada unidade conferiria as informações de sua competência. A proposta atribui a secretaria técnico-editorial ao DPM em articulação com a área de avaliação e gestão de informação (DAGI). O Conselho Editorial a instituir, presidido pelo Secretário Nacional ou seu designado, definiria pauta e aprovaria a edição.
O Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil (CONPDEC) é um colegiado consultivo. A CND lhe forneceria uma base comum para acompanhar o plano nacional. Uma prática proposta é levar à reunião uma lacuna concreta, as UFs atingidas e a fonte. O encaminhamento e o responsável poderiam ser acompanhados no ciclo seguinte. A validação editorial e a consulta ao CONPDEC são etapas distintas.
A Portaria MIDR nº 3.318/2025, art. 3º, III, atribui à SEDEC um relatório anual sobre a implementação e a avaliação do Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PN-PDC). A seção de instrumentos da CND poderia fornecer evidências para essa prestação de contas. A instituição da própria série CND continua em apreciação.
Como uma estatística ganha significado
No recorte de 2025 do acervo, o Atlas reúne 4.262 registros em 2.551 municípios. Desses registros, 2.253 têm reconhecimento federal. Uma inundação que atinge diversas cidades pode gerar um registro em cada uma. O reconhecimento é um atributo administrativo, e afetados em registros sucessivos podem reaparecer.
O S2iD recebe os registros e os processos de reconhecimento e solicitação de recursos de resposta e recuperação. O Atlas organiza o histórico em escala municipal para análise. O recorte preservado de 1991–2025 contém 76.191 registros e 5.256 municípios com ao menos um registro entre os 5.570 considerados. O volume também reflete acesso ao sistema e mudanças no registro.
- Verificar a medida
- Para cada indicador, guardar a unidade, o período, a cobertura, a fonte, a data da extração, a regra de agregação e o responsável pela conferência. Identificar dados ausentes e provisórios.
- Conciliar as fontes
- Uma ausência na base precisa ser distinguida de um zero verificado. Danos materiais e prejuízos econômicos exigem categorias, anos cobertos e preços compatíveis. O total combinado proposto no piloto aguarda conciliação antes de virar indicador do ano.
- Rastrear revisões
- Ao receber uma correção estadual, preservar a versão de corte, registrar o motivo da alteração e publicar o efeito na série. Atribuir à área competente a validação de números de alertas, transferências e entregas físicas.
Um calendário que as equipes podem testar
| Janela proposta | Trabalho e evidência de conclusão |
|---|---|
| Janeiro–março | Estados e unidades conferem o ano-base. No dia 31 de março, a equipe registra a versão de corte e a cobertura. |
| Abril–junho | Unidades redigem os capítulos e as UFs revisam seus cadernos. A editoria verifica definições e consolida a primeira prova. |
| Julho–setembro | Leitura crítica e conciliação em julho, infografia e revisão em agosto, deliberação editorial e preparação dos arquivos públicos em setembro. |
| 13 de outubro | Data sugerida para divulgar o Informe, os 27 cadernos e as tabelas abertas, no Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres. |
| Novembro–dezembro | Registrar o que precisou de correção, as perguntas do CONPDEC e das UFs e as prioridades da próxima edição. |
O que existe e o que falta decidir
- Concluído no acervo · agosto de 2026
- A edição nº 0 é um piloto metodológico interno. Usou a série histórica e ferramentas técnicas do DPM para testar o formato e as regras de evidência.
- Decisão institucional proposta · 2026
- Instituir a série por portaria, constituir o Conselho Editorial e designar responsáveis pelos capítulos. Pactuar o calendário e verificar disponibilidade das equipes, custos editoriais e operação do painel.
- Ensaio interno proposto · primeiro semestre de 2027
- Usar o ano-base 2025 para redigir os capítulos 1, 3, 4, 6 e 8 e testar três cadernos estaduais. Determinar onde os dados exigem correção e quanto trabalho a validação demanda.
- Primeira edição pública proposta · 13 de outubro de 2027
- Consolidar o ano-base 2026 e submeter a edição completa à aprovação editorial. A continuidade anual e o Pleno de 2030 dependem desses compromissos.
Uma pergunta de trabalho para Brasil e China
Em 16 de janeiro de 2026, o Ministério da Gestão de Emergências da China divulgou o balanço nacional dos desastres naturais de 2025. O comunicado descreve a análise conjunta de órgãos membros e apresenta pessoas afetadas, perdas econômicas diretas e características dos principais tipos de desastre.
Uma primeira troca poderia escolher uma inundação documentada em cada país. As equipes preparariam uma página com data de corte, território atingido, fonte do aviso, ação registrada e definição de população afetada. A unidade chinesa 人次 conta ocorrências de pessoas, podendo incluir repetições. Os conceitos e os universos seriam comparados antes dos valores. A proposta é produzir um modelo de ficha bilíngue, sujeito ao interesse das instituições.
Qual informação municipal ou local se perde quando milhares de registros viram um único número nacional?
Fontes e rastreabilidade
Desenho editorial e marcos conforme o projeto e o resumo executivo do DPM de agosto de 2026. A edição nº 0 documenta o ensaio metodológico. O guia v2 de outubro delimita o recorte histórico da demonstração. Os prazos e as atribuições editoriais são os do desenho proposto. A competência dos órgãos e o precedente chinês foram conferidos em fontes públicas.